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Precatórios

Precatórios de servidores: quando o governo paga o que deve

· 5 min de leitura · Equipe MeuDinheiro

O governo federal, estados e municípios devem bilhões a servidores públicos que conseguiram na Justiça o reconhecimento de diferenças salariais, reajustes ou verbas não pagas. Quando a ação é definitiva e o valor ultrapassa o limite da Requisição de Pequeno Valor (RPV), o pagamento segue a fila dos precatórios. Em 2024, o volume de precatórios a pagar para servidores públicos superou R$ 40 bilhões em todo o país, mas o tempo de espera varia de 2 a 5 anos, dependendo do ente federativo e da fila de pagamento vigente.

Muitos servidores não sabem que têm um crédito registrado a seu nome. Isso ocorre frequentemente em casos de revisão de cargo, equiparação salarial, pagamento de horas extras não remuneradas ou correção de descontos indevidos. O processo não é automático: é preciso que a sentença transitou em julgado (não cabe mais recurso) e que o valor tenha sido calculado pelo tribunal.

Quem entra na fila dos precatórios?

Entram nessa fila todos os servidores públicos, ativos, inativos ou pensionistas, que tenham ações judiciais contra a União, estados, Distrito Federal ou municípios onde o valor da condenação seja superior a 60 salários mínimos. Valores menores seguem o rito da Requisição de Pequeno Valor, a RPV, que é pago em até 60 dias após a expedição da ordem, se houver verba orçamentária.

Para servidores que ganham ações sobre diferenças de vencimentos de anos anteriores, o cálculo pode ser alto, ultrapassando facilmente o teto da RPV. Nesses casos, o processo é remetido ao tribunal de justiça competente e inserido na lista de precatórios para pagamento no exercício seguinte ao da inclusão.

Como o governo organiza o pagamento?

O pagamento não ocorre na ordem cronológica exata da entrada do processo. A Constituição permite que os entes públicos priorizem certas categorias, como idosos acima de 60 anos, pessoas com doença grave e credores de alimentação. O servidor comum fica na fila geral, aguardando sua vez de acordo com o ano de inclusão e o valor devida.

Cada governo (União, estado ou município) tem seu próprio cronograma de pagamentos. A União costuma pagar cerca de 15% a 20% do total de precatórios anualmente, enquanto estados e municípios variam muito: alguns pagam apenas o que entra no orçamento, outros ficam anos sem pagar nada.

O que o servidor deve acompanhar?

A primeira coisa é saber se o processo já transitou em julgado. Muitas vezes, o servidor acha que ganhou a causa, mas ainda há recursos pendentes. A segunda etapa é verificar se o cálculo do valor foi homologado pelo tribunal e se o precatório já foi expedido.

O acompanhamento pode ser feito online, através dos sites dos tribunais de justiça ou dos portais de transparência dos entes públicos. É essencial ficar atento aos editais de pagamento, que listam os números dos precatórios que serão quitados no mês ou ano seguinte.

Posso vender o meu precatório?

Sim, é possível antecipar o recebendo vendendo o crédito a terceiros. A transação é feita por meio de cessão de crédito, onde uma empresa compra o direito de receber o valor do governo e paga ao servidor um valor à vista, descontando uma taxa de antecipação.

Atenção: No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a cessão de créditos previdenciários é vedada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) em virtude do IRDR Tema 34. Em outras regiões, a venda é permitida, mas exige contrato com advogado e empresa especializada. Nunca pague taxas adiantadas para liberar o dinheiro.

Se você não precisa do dinheiro agora, pode esperar a fila. Se a necessidade é imediata, a venda do precatório é uma opção legítima, desde que feita com transparência e sem cobranças prévias.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora para receber um precatório?

Não há um prazo fixo. A fila depende do orçamento do ente público e do tamanho da dívida. Enquanto a RPV costuma ser paga em até 2 anos, os precatórios podem levar de 2 a 10 anos, dependendo da situação financeira do estado ou município.

O valor do precatório é atualizado?

Sim. Desde a expedição da ordem até o pagamento, o valor é corrigido pela Selic e por índices oficiais, garantindo que o poder de compra não se perca durante a espera.

E se o estado não tiver dinheiro?

Se não houver verba, o precatório permanece na fila e é pago no ano seguinte, quando houver previsão orçamentária. O servidor não perde o direito, apenas o tempo de recebimento.

Como sei se meu processo virou precatório?

O tribunal envia uma notificação ou o processo é anexado à lista de precatórios. Você pode consultar pelo número do processo nos sites do tribunal de justiça ou através de seu advogado.

Posso receber o valor antes da fila?

A única forma de receber antes da fila é vendendo o crédito a uma empresa de antecipação de precatórios. Não existe outra via legal para antecipação sem a venda do direito.

Se você tem uma ação contra o INSS ou outro órgão público e não sabe se já virou precatório ou RPV, ou se já está na fila de pagamento, envie o número do seu processo ou CPF para uma avaliação gratuita. Nossa equipe analisa a situação do seu caso e explica, por escrito no WhatsApp, quais são as suas opções de recebimento, sem qualquer cobrança adiantada.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta jurídica. Prazos, valores e disponibilidade de pagamento variam conforme o processo, o ente federativo e a legislação vigente.

Tem uma RPV ou um precatório para receber?

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